Com o apoio do Instituto Amazônia+21 (IAMZ+21) e da Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou na quarta-feira, 7 de outubro, em Brasília, o evento “Pré-COP31: O papel do setor privado na agenda de clima”. O encontro reuniu lideranças do setor industrial para debates e para apresentar o posicionamento da indústria para a Conferência do Clima, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia.
Marcelo Thomé, presidente do IAMZ+21 e da FAIS e vice-presidente da CNI, foi responsável pela abertura da agenda. “A mudança do clima é um dos grandes desafios do nosso tempo e a indústria está no centro desse debate por meio de investimentos em infraestrutura, inovação, produtos, empregos e oportunidades de desenvolvimento. A transição para uma economia de baixo carbono não deve ser compreendida apenas como uma questão ambiental, mas também de avanço econômico, competitividade, inovação e como uma oportunidade de inserção internacional do Brasil por meio desta pauta fundamental”, afirmou.
No evento, a CNI apresentou seis prioridades do setor industrial para a COP31, que abrangem adaptação às mudanças climáticas, financiamento, redução de emissões, comércio e clima, acompanhamento das metas do Acordo de Paris e ampliação das soluções empresariais em escala. Entre as propostas, a indústria defende maior acesso a recursos para a transição de baixo carbono, atração de capital privado, reconhecimento das soluções brasileiras e de diferentes trajetórias tecnológicas e mecanismos que permitam transformar compromissos climáticos em projetos e investimentos concretos.
Financiamento para uma nova economia
Houve também espaço para painéis temáticos. O primeiro, “Agricultura, segurança alimentar e biodiversidade: mobilizando capital para negócios na nova economia”, foi mediado por Marcelo Thomé e contou com a participação de Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade da MBRF; Liège Correia e Silva, diretora de Sustentabilidade da JBS; Leonardo Mercante, gerente de Relações Institucionais da Suzano; Maíra Peruzzo, gerente de Relações Institucionais da Acelen Renováveis e e Dyogo Oliveira, CEO da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).
Na discussão, Thomé destacou o papel da FAIS no financiamento de uma nova economia sustentável no Brasil. Embora exista um volume significativo de recursos disponíveis, esse capital ainda encontra dificuldades para chegar a quem empreende nos territórios, em parte porque as regras do setor financeiro, construídas para atividades tradicionais, nem sempre estão adaptadas aos riscos de novos modelos de negócio.
Nesse contexto, Thomé defendeu o uso do capital catalítico, recurso normalmente de origem pública, filantrópica ou de agências de fomento, que pode assumir parte dos riscos para tornar projetos sustentáveis mais atraentes a outros investidores. Essa lógica está na base do blended finance, que combina capitais com diferentes perfis de risco e retorno para mobilizar mais recursos, inclusive privados. A FAIS aplica essa estratégia em iniciativas como o Fundo Catalítico Amazônia e o Fundo Rural+Verde, buscando reduzir riscos e criar condições para que mais capital chegue a negócios sustentáveis nos territórios.
“O capital existe, mas precisa de projetos estruturados e de risco bem distribuído para chegar ao campo. A combinação de capital público, concessional e privado, com seguro e mitigação de risco, é o que transforma a natureza e a produção sustentável em oportunidade de negócio”, finalizou.
Crédito da imagem de abertura: Iano Andrade / CNI
