Operação Caatinga: soluções do semiárido para uma visão de longo prazo

Bioma brasileiro reúne respostas à crise climática e orienta uma nova lógica de investimentos sustentáveis

A intensificação das mudanças climáticas tem ampliado a busca por soluções capazes de conciliar adaptação, desenvolvimento econômico e redução de riscos socioambientais. Nesse contexto, a Caatinga passa a ser reposicionada na agenda estratégica do país, não apenas como um bioma historicamente negligenciado, mas como um espaço concreto de soluções climáticas e oportunidades para negócios sustentáveis.

O semiárido brasileiro reúne práticas produtivas, ativos naturais e arranjos sociais construídos a partir da convivência com condições ambientais extremas. Segundo um estudo publicado na revista científica Science of the Total Environment pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Caatinga respondeu por quase 50 % do sequestro líquido de carbono no Brasil entre 2015 e 2022, o que amplia seu valor estratégico no enfrentamento da crise climática e fortalece sua atratividade para investimentos alinhados à transição ecológica.

Além de seu papel climático, a Caatinga concentra oportunidades reais para o desenvolvimento econômico sustentável. A estruturação de projetos produtivos adaptados ao semiárido permite enfrentar desafios históricos da região, como a pobreza e a exclusão socioeconômica, ao mesmo tempo em que estabelece novas bases de crescimento, sustentadas pelo uso responsável dos recursos naturais e pela valorização das populações locais.

É a partir dessa compreensão que a Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS), spin-off do Instituto Amazônia+21, avança na Operação Caatinga. A iniciativa busca estruturar um fundo catalítico voltado ao bioma, com foco em organizar, fortalecer e escalar projetos sustentáveis já existentes, além de originar novas iniciativas sustentáveis alinhadas às vocações da Caatinga. O objetivo é criar um ambiente mais estruturado, previsível e atrativo para o capital responsável.

“Estamos expandindo a atuação da Facility de Investimentos Sustentáveis para o Nordeste, olhando especificamente para a Caatinga, um bioma por muito tempo negligenciado, mas com enorme potencial de gerar excelentes negócios sustentáveis. A partir da estruturação do Fundo Caatinga, poderemos originar bons projetos, promover inclusão socioeconômica no semiárido e gerar desenvolvimento econômico sobre novas bases, bases sustentáveis”, afirma Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21.

Essa visão vem sendo construída em articulação com lideranças regionais e com o setor produtivo local. Federações das indústrias do Nordeste vêm liderando iniciativas consorciadas com os estados da Paraíba e do Ceará, reforçando uma mudança na lógica de investimentos para o semiárido, ao orientar o capital para projetos sustentáveis com impacto socioambiental.

Nesse contexto, a FAIS Caatinga se consolida como um instrumento estratégico para conectar o potencial do bioma à agenda de desenvolvimento sustentável do país. Ao estruturar investimentos alinhados às características da Caatinga, a iniciativa contribui para a conservação do bioma, impulsiona o desenvolvimento econômico sustentável e promove a geração de prosperidade no semiárido, ancorada em uma visão de longo prazo.

Mais do que responder a emergências, a Operação Caatinga integra uma estratégia de longo prazo que reconhece o bioma como parte essencial das soluções para o futuro climático, econômico e social do Brasil.

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