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Notícias da Amazônia na SB 62

Por Marcelo Thomé

Diante das incertezas do momento histórico, a SB 62, que acontece agora em Bonn, cresce em importância pelo indicativo do que podemos esperar da COP 30 em Belém do Pará.

A 62ª Sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (SB 62) é uma das últimas etapas de preparação da COP em Belém, então é preciso considerar o sentimento que circula por aqui, entre representantes de governos, empresas e instituições civis. Há um consenso velado de que a ambição climática será tímida, mas cresce a vontade de compensar essa “timidez” com uma agenda de ação focada no Balanço Global, ou seja, fazer acontecer decisões já tomadas e não implementadas – inevitável lembrar o destravamento do financiamento climático.   

Aceno da SB 62 para a Amazônia

Dois temas da pauta do SB 62 se destacam pela conexão com as possiblidades do Brasil, em especial com a agenda da bioeconomia e da industrialização sustentável na Amazônia:

1 – Meta Global de Adaptação e Financiamento Climático: a discussão de indicadores de adaptação e mecanismos de financiamento climático estão valorizando soluções territorializadas que integrem mitigação e adaptação, a partir de potenciais geográficos, sociais e econômicos. É uma nova oportunidade de afirmar a agenda da economia da Amazônia como diferencial para o desenvolvimento sustentável brasileiro. O setor privado da região Norte levará sua contribuição à COP de Belém, a Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS). Trata-se de uma plataforma inovadora criada pelo Instituto Amazônia+21, que canaliza capital privado, público e filantrópico para financiar projetos que combinam conservação ambiental, inclusão produtiva e retorno econômico.

2 – Transição Justa e Trabalho Decente: A retomada do programa de trabalho sobre transição justa, com foco na implementação dos resultados do Global Stocktake, converge com os esforços para estruturar cadeias produtivas sustentáveis na região. Nesse sentido, o Instituto Amazônia+21 mobiliza importantes parceiros, pois acreditamos que o desenvolvimento da Amazônia deve ser liderado por sua própria população e pelo empresariado da região, com geração de emprego qualificado, fortalecimento de cooperativas e ampliação do acesso à tecnologia e à educação.

Oportunidade de justiça climática

A pouca ambição e a expectativa de uma agenda de ação que destrave decisões consensuadas em COPs anteriores, são os principais indicativos da SB 62 para a nossa participação na COP 30 em Belém do Pará. Pode parecer pouco, mas quando se valoriza as ações territorializadas, cresce muito a oportunidade de a Amazônia implementar a agenda econômica determinante para a conservação do seu bioma.

O que estou vendo e ouvindo na SB 62 só reforça a certeza de que não há transição climática justa sem a Amazônia.

Marcelo Thomé

Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia

Vice-Presidente da Confederação Nacional da Indústria
Presidente do Instituto Amazônia+21
Presidente da Facility de Investimentos Sustentáveis

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